Recife (PE), Brasil

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Balanço do Primeiro Turno - Resultados

Apesar da frustração pela não definição da eleição presidencial no primeiro turno, é importante ressaltar que, diferentemente do que tem alardeado a grande mídia, o primeiro turno foi amplamente vitorioso para o PT e o governo, pelos motivos abaixo:

- Em sua primeira experiência eletiva, Dilma Roussef teve 47% dos votos válidos, mais de 47 milhões de votos, isto significa mais votos do que Lula teve no primeiro turno de 2006, após quatro anos de governo, e quase o mesmo índice que Lula alcançou naquela ocasião (48%). O curioso é que, como Dilma, Lula também tinha cerca de 50 a 51% dos votos pelas pesquisas de boca de urna e também recebeu cerca de 3% a menos, também muito em função das baixarias de campanha de última hora;

- Dilma venceu em 17 Estados no primeiro turno, mais do que Lula conseguiu em 2006 (16 Estados). A diferença entre Dilma e Serra foi de 15%, bem mais do que a diferença entre Lula e Alckmin, que foi de 8%;

- O PT elegeu 12 senadores e 88 deputados federais, tornando-se a maior bancada da Câmara e a segunda maior do Senado (14 senadores), só perdendo para o PMDB, da base de apoio, com 16 senadores;

- A propósito, a base de apoio elegeu 38 senadores em 54 vagas disponíveis, passando a contar com 47 dos 81 senadores. Também elegeu 11 governadores no primeiro turno (4 do PT) e está no 2o. turno em 8 Estados. Em dois deles, o governador eleito será da base de apoio, quem quer que vença, pois os dois candidatos são ligados a partidos da coligação que apoia o governo;

- enquanto isto, o PSDB de Serra caiu de 16 para 11 senadores e o DEM despencou de 13 para 7 senadores. Suprema ironia: o PV de Marina não conseguiu eleger nenhum senador, perdendo seu único representante, aliás ela mesma. A título de comparação, o nanico PSOL, por outro lado, elegeu 2 senadores.

Em resumo: com esta composição do Congresso, se eleito, Serra terá enormes dificuldades para governar, tendo de partir para o velho expediente de cooptar os partidos sem grande firmeza ideológica (a turma do "é dando que se recebe") à custa de muita verba pública e troca de favores. As promessas demagógicas de fim de campanha com certeza serão rapidamente esquecidas, dando vez ao balcão de negócios para garantir apoio e ao receituário neoliberal de cortes nos gastos públicos, em prejuízo dos programas sociais e da valorização do serviço público.

Já Dilma, se eleita (e será, se Deus quiser), terá uma forte base de apoio para aprofundar as mudanças pelas quais o Brasil vem passando, no rumo do desenvolvimento e da transformação social.

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