sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Farra do Panamericano

Do Blog de Miriam Leitão, no Globo.com (repassado por Fernando Veiga).

Para (não) entender a operação de Venda do Banco Panamericano. Silvio Santos se faz de bobo em frente às câmeras, mas nos bastidores sempre se dá bem.

Fundo adormecido

A operação do PanAmericano é mesmo incrível. Banqueiros abriram mão de juros e devolveram garantias ao devedor; dinheiro coletivo foi usado como se fosse dos bancos interessados; a Caixa pagou por um banco e quando descobriu que tinha comprado gato por lebre não pediu o dinheiro de volta. O antigo dono não perdeu nada, exceto um banco quebrado e embolsou o dinheiro da Caixa.

Conversei ontem com o presidente do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Gabriel Jorge Ferreira, para tirar minhas dúvidas. Permaneço com elas. Conto aqui a conversa. Perguntei a ele por que o Fundo Garantidor de Crédito abriu mão das garantias dadas pelo empresário Silvio Santos. Ele: “porque trocou de devedor, que agora é o BTG Pactual, que cobriu a dívida.” Perguntei por que o fundo aceitou R$ 450 milhões para pagar uma dívida de R$ 3,8 bilhões. Ele disse que é porque o capital será remunerado a 13% ao ano e, ao final de 17 anos, R$ 450 milhões equivalerão a R$ 3,8 bilhões.

Para que a mágica aconteça, o dinheiro que o FGC pôs no PanAmericano terá que ficar congelado em valor nominal por 17 anos à espera de que os R$ 450 milhões engordem à ponto de virarem R$ 3,8 bi. Um dinheiro ficará parado como belo adormecido à espera do encontro com o outro por 17 anos.

Os responsáveis pela decisão têm dito que o FGC é uma entidade privada capitalizada pelos bancos. Não é bem assim. O Fundo não é estatal, mas é público. Foi criado pelo governo, em 1995, para proteger correntistas de bancos que eventualmente quebrassem. É capitalizado com um percentual dos depósitos bancários. O dinheiro é recolhido pelos bancos, mas o custo é repassado aos clientes, aplicadores e devedores dos bancos. Ou seja, a todos nós. O dinheiro não é tirado da conta diretamente. É indiretamente. É mais um custo pago pelo cliente no spread bancário, nas taxas de administração, nos custos dos bancos que são embutidos em todas as taxas. Eu perguntei ao presidente do FGC se eles repassam isso para o cliente e ele respondeu:

— Ora Miriam, eu não preciso explicar a você como a economia funciona.

A participação da Caixa é também difícil de entender. Ela pagou R$ 740 milhões por 49% das ações do banco. Qualquer compra nesse valor é feito com um contrato em que há uma cláusula estabelecendo que se o ativo não for o que parece ser o negócio é desfeito. No mercado, um banqueiro com quem eu conversei ontem me disse que das duas uma: ou não havia a cláusula, ou a Caixa não quis exercê-la. O empresário Silvio Santos não apenas se livrou de um banco quebrado, antes disso ele embolsou R$ 740 milhões da Caixa Econômica Federal, banco estatal. As ações do PanAmericano subiram 55% em dois dias. Mesmo assim, segundo cálculos feitos para nós pela consultoria Lopes Filho & Associados, as ações ainda estavam 28,2% abaixo do valor pago pela Caixa, que está com uma perda de R$ 212,5 milhões. Na verdade, é pior, porque as ações do banco caíram 9,8% no pregão de ontem. Ela pode até zerar esse prejuízo com a recuperação da ação, mas imagina o que a Caixa teria ganhado se tivesse aplicado em primeiro de dezembro de 2009, quando desembolsou o dinheiro, em um ativo bom?

Agora que o BTG assumiu, a Caixa vai colocar R$ 8 bilhões à disposição da instituição da qual é sócia. Beleza. Quer que o banco se recupere. O problema todo é que ontem o GLOBO trouxe a informação de que a Caixa pode vir a ser novamente capitalizada. De novo, sobrará para o Tesouro, que é formado com o seu, o meu, o nosso dinheiro.

Três dos membros do conselho de administração do Fundo Garantidor que participaram da decisão de emprestar R$ 2,5 bilhões e depois mais R$ 1,3 bilhão sem juros para o PanAmericano tinham comprado carteiras de crédito do banco: o Itaú, o Bradesco e o Banco do Brasil. Outro integrante do Conselho é a Caixa, que comprou ações do banco. Se o banco falisse, os quatro teriam prejuízos. Perguntei a Gabriel Ferreira se não havia conflito de interesse em que esses quatro bancos — dos oito representados no Conselho — decidissem esse empréstimo que salvaria seus próprios ativos. Ele respondeu:
— Isso de fato causou um desconforto.

Segundo o banqueiro, tudo foi feito em nome do interesse público porque desta forma se evitou uma crise sistêmica. Pediu que eu lembrasse das manchetes de 15 anos atrás quando quebraram bancos no Brasil. Me lembro bem. Naquela época, do Proer, os controladores e os administradores responderam com seus bens, que ficaram indisponíveis. Ele ponderou que o Banco Central não ganhou nada até agora. Bom, a Justiça é lenta. Mas os donos e administradores dos bancos responsáveis por fraudes contábeis e administração temerária respondem processos na Justiça e ficaram com seus bens indisponíveis.

Há mais mistérios no ar do que sonha a nossa vã filosofia. Como foi mesmo que apareceu esse rombo? O Banco Central foi somar todas as carteiras que todos os bancos diziam que tinham e concluiu que a soma das partes era maior do que o todo. Assim ele descobriu que o PanAmericano vendeu carteiras, mas as mantinha como seu ativo. Deve haver outras manobras ainda não explicadas. Quando o Fundo Garantidor fez o primeiro empréstimo, o Banco Central garantiu que não havia mais rombo e o banco estava saneado. Assim disse também a Caixa Econômica. E depois foi encontrado outro rombo de R$ 1,3 bilhão. A divulgação do balanço do PanAmericano poderá explicar melhor. Já foi adiada várias vezes e agora ficou para o próximo dia 15.

Gabriel Ferreira disse que o BC fez inquérito administrativo e que o Ministério Público vai investigar tudo. Depende agora do MP um final que dê algum sentido a essa história sem pé nem cabeça.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Cordel: Big Brother Brasil - Um programa imbecil

Como diz o Zé Simão, continuo minha mesopotâmica campanha contra o BBB.

Desta vez repasso excelente cordel, que recebi da Acorjiana Raquel Ribeiro, analisando o BBB com bastante propriedade. É longo, mas vale a pena ler todo:

Big Brother Brasil - Um Programa Imbecil

Autor: Antonio Barreto,
Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador. 

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
 
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.
 
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
 
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.
 
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
 
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
 
Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
 
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
 
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?


 




Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…
FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Silvio Santos só vendeu banco após ligação do BC

Do blog do Noblat:

Silvio só vendeu banco após ligação do BC


Empresário endureceu as negociações e, segundo fontes ligadas aos bancos, forçou o sistema financeiro a assumir dívidas do Panamericano

Leandro Modé e Patrícia Cançado, O Estado de S. Paulo

Silvio Santos só aceitou vender o controle do Panamericano para o BTG Pactual após receber um telefonema do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, no início da tarde de segunda-feira, dia em que o negócio foi anunciado. Até então, o empresário relutava em aceitar as condições da operação. O contrato foi assinado por volta das 20h30.

Segundo fontes que acompanharam as negociações, desde a confirmação do novo rombo de R$ 1,5 bilhão, cerca de 10 dias atrás, Silvio mostrou-se irritado. Em diversas ocasiões, "trucou". Dizia que, se as condições de venda não fossem mais favoráveis a ele, o Banco Central poderia liquidar de vez o Panamericano.
Procurada, a assessoria do Grupo Silvio Santos não quis comentar. O BC também não quis se pronunciar.
Em novembro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) emprestou R$ 2,5 bilhões para cobrir um rombo no banco, descoberto em setembro pelo BC. Em troca, Silvio deu seu patrimônio como garantia. O FGC é uma entidade criada e mantida pelos bancos desde 1995, cujo objetivo é garantir depósitos de correntistas em caso de quebra de algum banco.

No dia 9 de novembro, a diretoria do Panamericano foi demitida. Assumiram executivos indicados pela Caixa (que tem 49% do capital votante) e pelo FGC, que identificaram mais inconsistências nos números. Em janeiro, as suspeitas se confirmaram.

O buraco não era de R$ 2,5 bilhões. Chegava a R$ 4 bilhões. A única saída para evitar a liquidação do banco era um novo empréstimo. Os principais banqueiros do País aceitaram cobrir o rombo. Mas exigiram a troca do acionista controlador: Silvio.

Leia mais em Silvio só vendeu banco após ligação do BC

Petição Online - Democracia para o Egito

Caros amigos,

Milhões de egípcios corajosos estão enfrentando uma escolha crítica. Milhares foram presos, feridos e mortos nos últimos dias. Mas se eles insistirem em se manifestar de forma pacífica, eles poderão acabar com décadas de tirania.

Os manifestantes apelaram para a solidariedade internacional, mas a ditadura sabe que a união faz a força em um momento como este, portanto eles estão desesperadamente tentando isolar os egípcios do resto do mundo e desunir a população completamente, bloqueando a internet e telefones celulares.

Redes via satelite e rádio ainda podem driblar o apagão do regime -- vamos inundar estes canais de comunicação com um chamado de solidariedade para mostrar aos egípcios que estamos com eles, e que nós exigiremos um posicionamento dos nossos governos para apoiá-los também. A situação está por um fio – cada hora conta - clique abaixo para assinar a mensagem de solidariedade e depois encaminhe esta mensagem:

https://secure.avaaz.org/po/democracy_for_egypt/?cl=930990821&v=8322

O poder popular está se espalhando pelo Oriente Médio. Em dias, manifestantes pacíficos derrubaram a ditadura de 30 anos da Tunísia. Agora os protestos estão se espalhando para o Egito, Iêmen, Jordânia e além. Isso pode se tornar a derrubada do muro de Berlim do mundo árabe. Se a tirania for derrubada no Egito, uma onda democrática poderá se espalhar por toda a região.

O ditador egípcio Hosni Mubarak tentou esmagar os protestos. Mas os protestos continuam, com uma coragem e determinação incríveis.

Há momentos no planeta em que a história é escrita não pelos poderosos, mas pelo povo. Este é um deles. As ações dos egípcios nas próximas horas terão um efeito massivo no seu país, região e no mundo. Vamos congratulá-los com um manifesto de solidariedade, mostrando que estamos ao lado deles nesta luta.


A família de Mubarak já fugiu do país, mas neste fim de semana, ele colocou o exército nas ruas. Ele prometeu tolerância zero para o que ele chama de “caos”. De qualquer forma, a história será escrita nos próximos dias. Vamos usar este momento como exemplo para cada ditador no planeta, mostrando que eles não vão durar, frente à coragem de um povo unido.

Com esperança e admiração pelo povo egípcio,

Ricken, Rewan, Ben, Graziela, Alice, Kien e toda a equipe da Avaaz

Leia mais:

Manifestantes convocam greve geral e passeata apesar de gestos de Mubarak:
http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-12303564

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5hUh7xjPXnWCoxDJyBSUwcsBNxeGw?docId=CNG.89d0ef788bc15f982b5143260ae6befb.21

Egito está "no início de uma nova era", diz ElBaradei:
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5gJfTYJ6h7PZmJasIeyRiFiAswLfg?docId=CNG.d5e7dd1f2e7c4521a8354284c972c2e1.301

Egito: Continua a contestação ao regime:
http://pt.euronews.net/2011/01/31/egito-continua-a-contestacao-ao-regime/

domingo, 30 de janeiro de 2011

Dica de Site: Queijos Online

Repasso a dica da amiga Cynara Barros:

"Pra quem gosta de queijos, descobri uma fazenda em Pombos, que produz mais de 30 tipos de queijos (brasileiros, franceses, suíços, etc.) e entrega em domicílio todas as terças e sextas, cobrando uma taxa de entrega de apenas R$ 3,00. Eu já comprava a ricota deles em um restaurante vegetariano no centro e achava divina, mas nem sabia que eles tinham outros tipos de queijo.
Aí descobri que você pode pedir até online, pelo site: www.queijosonline.com.br . Pedimos essa semana aqui em casa e, pra quem gosta de queijos, vai amar. Fora que os queijos mais caros custam metade do preço dos que vendem no supermercado e são bem melhores...
 
Depois me contem se gostaram.  E não, eu não conheço o dono da fazenda e nem estou ganhando nada pela propaganda. Só acho que essas dicas valiosas devem ser sempre divulgadas!"
 
Realmente uma ótima dica. Obrigado, Cynara.
 
 
 

Caçando Mitos: A origem da expressão "Rá-Tim-Bum"

Acabei de receber um e-mail que alerta para o significado da expressão "rá-tim-bum", cantada no "Parabéns para Você" aqui no Brasil.

A mensagem diz que a expressão significa "eu te amaldiçoo" e pede para que todos deixem de cantá-la, pois seria algo demoníaco.

Claro que isto não passa de uma imensa bobagem. Pesquisando no site "Quatro Cantos", especializado neste tipo de lendas, descobri que a Revista da Fapesp no. 102, de março/2004 (p. 57/58), comemorativa aos 70 anos da Fapesp, traz uma versão bem mais plausível para a origem da expressão:

O bordão “é pique, é pique, é hora, é hora, é hora, rá-tim-bum", incorporado no Brasil ao Parabéns a você, é uma colagem de bordões dos pândegos estudantes das Arcadas da década de 1930. “É pique, é pique” era uma saudação ao estudante Ubirajara Martins, conhecido como pic-pic porque vivia com uma tesourinha aparando a barba e o bigode pontiagudo.

“É hora, é hora” era um grito de guerra de botequim. Nos bares, os estudantes eram obrigados a aguardar meia hora por uma nova rodada de cerveja - era o tempo necessário para a bebida refrigerar em barras de gelo. Quando dava o tempo, eles gritavam: “É meia hora, é hora, é hora, é hora, é hora!"

“Rá-tim-bum”, por incrível que pareça, refere-se a um rajá indiano chamado Timbum, ou coisa parecida, que visitou a faculdade - e cativou os estudantes com a sonoridade de seu nome. O amontoado de bordões ecoava nas mesas do restaurante Ponto Chic, com um formato um pouco diferente do que se conhece hoje: “Pic-pic, pic-pic; meia hora, é hora, é hora, é hora; rá, já, tim, bum'.


Como isso foi parar no Parabéns a você? “Os estudantes costumavam ser convidados a animar e prestigiar festas de aniversário. E desfiavam seus hinos”, conta o atual diretor da faculdade, Eduardo Marchi...


Estudantes das Arcadas visitam, em 1908,
o Barão do Rio Branco (ao centro), ex-aluno



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Dica de Filme: Inside Job

Da Agência Carta Maior:

A história de um crime de 20 trilhões de dólares
Documentário que será lançado em fevereiro no Brasil mostra o comportamento criminoso de agentes políticos e econômicos que conduziu à crise mundial de 2008. Essa conduta criminosa provocou a perda do emprego e da moradia para milhões de pessoas. "Inside Job" (que ganhou o título de "Trabalho interno" em português) conta um pouco da história que Wall Street e seus agentes pelo mundo querem que seja esquecida o mais rápido possível. Documentário resultou de uma extensa pesquisa e de uma série de entrevistas com políticos e jornalistas, revelando relações corrosivas e promíscuas entre autoridades, agentes reguladores e a Academia.

http://www.youtube.com/watch?v=a_f_-LAsv88&feature=player_embedded
Como causar uma quebradeira de 20 trilhões de dólares, por meio de uma farra de negócios especulativos, e cobrar a conta de milhões de pobres mortais que não participaram da festa? O documentário Inside Job (“Trabalho interno”, em português) responde essa pergunta mostrando o comportamento criminoso de agentes políticos e econômicos que conduziu à crise econômica mundial de 2008. Essa conduta criminosa provocou a perda do emprego e da moradia para milhões de pessoas.

Dirigido por Charles Ferguson (mesmo diretor de
No End in Sight) e narrado por Matt Damon, o documentário conta um pouco da história que Wall Street e seus agentes pelo mundo querem que seja esquecida o mais rápido possível. Para repeti-la, provavelmente.

O documentário resultou de uma extensa pesquisa e de uma série de entrevistas com políticos e jornalistas, revelando relações corrosivas e promíscuas entre autoridades, agentes reguladores e a Academia.

Em No End in Sight, Ferguson faz uma análise sobre o governo de George W, Bush e sua conduta em relação à Guerra do Iraque e a ocupação do país, questionando as mentiras utilizadas pelas autoridades norte-americanas para sustentar a ocupação. Agora, em Inside Job, mais uma vez o diretor expõe uma teia de mentiras e condutas criminosas que prejudicaram seriamente (e seguem prejudicando) a vida de milhões de pessoas. Agende-se: a estreia do documentário no Brasil está prevista para o dia 18 de fevereiro.

“Se você não ficar revoltado ao final do filme, você não estava prestando atenção” – diz uma das frases promocionais do documentário. Uma revolta necessária, pois, neste exato momento, muitos dos agentes causadores da crise (do roubo, seria melhor dizer) voltaram a dar “conselhos” para governos e sociedades. Algumas das mais novas vítimas são gregos, irlandeses, espanhóis, portugueses e outros povos europeus que estão sendo “convidados” a “aceitar a ajuda do FMI”.

Os arautos das privatizações e da desregulamentação seguem soltos como se nada tivesse ocorrido. Inside Job mostra as entranhas deste mundo de cobiça, cinismo e mentira. São estes criminosos, no frigir dos ovos, que seguem dando as cartas no planeta. Preparem o estômago, abram os olhos e ouvidos e não deixem de ver esse filme.

Condenado assaltante do BC em Fortaleza

Do Informativo BC Recife, de 25.1.2011:

Êxito no julgamento

Wagner Tenório, Procurador Regional do BC em Recife
Hoje a Procuradoria do BC/Recife tem motivos para comemorar. A área obteve importante êxito ao atuar como assistente de acusação do Ministério Público Federal no julgamento de Antônio Argeu Nunes Vieira e conseguir a condenação dele a 18 anos de reclusão. Argeu Vieira, como é conhecido, é um dos integrantes da quadrilha que assaltou o Banco Central em Fortaleza. O julgamento foi concluído hoje, no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no Recife. A sustentação oral perante a Segunda Turma do Tribunal foi feita pelo Procurador Regional para a 5ª Região, Wagner Tenório Fontes, que fala sobre a importância do julgamento de um dos autores do segundo maior assalto a banco do mundo e terceiro maior em qualquer gênero: “O assalto ao BC de Fortaleza foi  perpetrado por uma organização criminosa da mais alta periculosidade ligada ao PCC. As conseqüências funestas desse crime foram múltiplas, bastando exemplificar a rebelião do PCC em São Paulo, da qual decorreram varias mortes, rebelião essa financiada com recursos do assalto.” Wagner completa: “O julgamento de hoje foi mais uma vitória da sociedade brasileira no combate ao crime organizado, que funciona como um câncer onde se instala e atua.”

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

TV/Big Brother: Uma questão de bom senso

Momento de Reflexão
http://www.reflexao.com.br/

Questão de bom senso

Não seja Big Bobo. Mude de canal ou desligue a TV
É impressionante como o ser humano do Terceiro Milênio ainda faz coisas que um mínimo de bom senso desaprovaria.
É claro que não se trata da maioria, mas de uma parcela de pessoas sem compromisso com o bom, com o útil e com o belo.
Estamos falando da nova moda que surgiu nos Estados Unidos e que algumas emissoras de televisão brasileiras resolveram importar.
Trata-se da exposição de um grupo de pessoas escolhidas para conviver juntas numa casa, por determinado tempo, onde são observadas pelos telespectadores, graças às câmeras que registram tudo, 24 horas por dia.
Que existem pessoas que se comprazem em expor a intimidade a terceiros, não há dúvida.
Também não há dúvida de que existem aqueles que gostam de bisbilhotar a vida alheia. São pessoas que sofrem de distúrbios psicológicos e como tal devem ser tratadas.
Mas daí a se expor diante das câmeras para a população de um país ou ficar diante da TV observando as momices de alguns desocupados, é falta de bom senso ou do que fazer.
Do ponto de vista das emissoras é de se pensar se não há nada de bom, de útil ou de instrutivo para se veicular nesses horários.
E da parte dos espectadores, é de se questionar se não têm mais nada a fazer que possa dar utilidade às suas horas.
Conviver mais com os filhos, caminhar ao ar livre, ler um bom livro, fazer uma visita a um amigo, a uma pessoa enferma, a uma instituição de caridade.
A grande responsável por esses programas de má qualidade é a demanda. É a audiência. É o cidadão que permite que esse lixo seja despejado em seu lar, em sua sala de televisão.
Isso nos parece muito lógico: se não houvesse o prestígio da população, não haveria interesse por parte das emissoras em veicular, já que divulgam o que o público pede.
Século XXI... e ainda se perde tempo com coisas tão inúteis e até prejudiciais...

Se os espectadores, que assistem esse tipo de programa, pudessem avaliar a importância do tempo que Deus lhes concede na presente existência, certamente não o desperdiçariam com tolices dessa natureza.
Dizemos que é prejudicial porque assistir televisão, sem critérios rígidos de seleção, pode entorpecer os sentidos, prejudicar a criatividade, a capacidade de conversar, de conviver.
Ademais, esse tipo de programação cria a ilusão de que se pode penetrar a intimidade daquelas pessoas enclausuradas, e a de que se pode preencher o vazio interior e superar as próprias frustrações, convivendo com um grupo de estranhos.
É uma grande ilusão, pois os próprios participantes dessas casas de clausura admitem que é impossível ser verdadeiros diante das câmeras.
Dessa forma, uns fazem de conta que expõem a intimidade, e outros fazem de conta que acreditam...
* * *
Pense nisso e não ligue a televisão apenas porque ela está lá. Ligue-a somente quando houver algum programa que você realmente queira ver, que lhe acrescente algo de bom, de belo, de útil, de instrutivo.
Aqueles que participam desse faz-de-conta têm o interesse financeiro, pois há um prêmio em jogo...
As emissoras querem faturar, numa eterna guerra pela primeira posição nas pesquisas...
E você, telespectador?
Se todas as pessoas usassem o bom senso antes de acionar o controle remoto da TV, selecionando as boas programações, as emissoras não colocariam no ar programas de má qualidade, inúteis ou prejudiciais.
Assim como o voto é uma arma poderosa nas mãos do eleitor, o controle remoto é a única arma que poderá mudar essa triste realidade, e promover uma mudança na cultura das telinhas.
Pense nisso, e faça a sua parte!
Redação do Momento Espírita.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Incrível: chopeira enche o copo pelo fundo

Caraca, muito interessante esta invenção! Além do inusitado e da rapidez, acaba aquela história de ficar derramando o chope para acertar o colarinho. Cool.

Da Folha.com:

Chopeira inusitada enche copo pela parte inferior; assista.
DE SÃO PAULO

A máquina exibida no vídeo abaixo serve chope de uma forma curiosa: pela parte inferior do copo.
Batizada "BottomsUP Beer", a chopeira enche 600 ml por segundo --nove vezes mais rápido que as máquinas convencionais.
O sistema funciona com copos especiais. Cada unidade tem um buraco que é selado com um ímã circular. A máquina enche o copo e, ao ser retirado, o imã retorna ao local e veda o furo.
Segundo o fabricante, a rapidez do serviço feito com quase nenhum respingo pode representar uma economia de cerca de 75% em relação aos demais tipos de máquina.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Dica de Site: Paises@ (mapa mundi interativo)

Já imaginou um Mapa Mundi com as principais informações (população, indicadores sociais, economia, redes, meio-ambiente, objetivos do milênio e síntese)
de todos os países, de forma interativa e rápida?
Felizmente este mapa já existe. E o melhor: é brasileiro - desenvolvido pelo IBGE - e tem versões em português, inglês e espanhol. 
É uma excelente fonte de pesquisa.
Basta clicar abaixo e selecionar o país que desejar:
http://www.ibge.gov.br/paisesat

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Diário: volta aos treinos, finalmente!

Ano novo, vida nova!

Ontem finalmente voltei aos treinos com o Grupo de Corridas Corpore Sano, no Parque da Jaqueira.

Espero que dessa vez seja pra valer, pois pretendo correr a São Silvestre no fim do ano. Contarei a história toda aqui no blog.

Como primeiro dia, até que não fui mal: uma volta de aquecimento e mais três etapas de uma volta; uma volta e meia; e duas voltas. No final, 500m de caminhada, totalizando cerca de 6km.

Gostei de ver que melhoraram a marcação das distâncias na Jaqueia, colocando a distância real percorrida em uma volta (980m), em vez da medição errada de 1km que havia antes. Só acho que ficou faltando eles mudarem um pouquinho o traçado para que a volta passasse a ter realmente 1km. Mas quem sabe numa próxima melhoria.

Pra comemorar meu retorno, e pra deixar vocês babando, publico a foto abaixo, das pernas mais lindas do mundo (pelo menos para mim). Adivinhem de quem é:


Pernas, pra que te quero?


domingo, 16 de janeiro de 2011

Todos Por Um: vamos economizar

Indico o site de compras coletivas de meu sobrinho Hugo. Vamos dar uma força e economizar: http://www.todosporum.com/?convite=TPUQRL8.


Todos Por Um - Compras Coletivas
Economizem e ajudem Huguinho a comprar seu caviar


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

País deixou de consumir 5 bilhões de sacos plásticos em um ano e meio


Cerca de cinco bilhões de sacolas plásticas deixaram de ser consumidas em um ano e meio de campanha “Saco é um Saco” do Ministério do Meio Ambiente. A meta da campanha era atingir 10% de redução de sacolas plásticas até o final de 2010, tendo como base o ano de 2009, quando foram produzidas 15 bilhões de sacolas no Brasil. A meta foi ultrapassada, chegando a 33% de redução.
O desempenho do programa, na avaliação do deputado Leonardo Monteiro (PT-MG), é resultado da conscientização da população brasileira sobre a importância de se promover ações em favor do meio ambiente. “O uso de sacos plásticos em excesso é um grave problema ambiental para o Brasil e para o mundo. Esta iniciativa do governo é muito bem vinda e ficamos felizes que a população tenha compreendido e apoiado a campanha. Se continuarmos neste ritmo, em pouco tempo poderemos extinguir o uso das sacolas plásticas”, afirmou.
Dados - Esse número reúne as estimativas levantadas pelas três maiores redes de supermercado no país (Walmart, Pão de Açúcar e Carrefour), pelas cidades que baniram as sacolas voluntariamente, como Xanxerê (SC) e Jundiaí (SP) e pelo Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas, da indústria do plástico.
Durante a campanha foram produzidos 19 spots de rádio, três filmes para TV e cinema - exibidos no canal Futura e nas salas de cinema da rede Rain -, e dois concursos culturais. Além disso, o uso de ecobags foi estimulado por vendas e distribuição gratuita. A rede Pão de Açúcar, por exemplo, vendeu 200 mil sacolas retornáveis em 2010.O Ministério do Meio Ambiente, por sua vez, distribuiu outras 200 mil ecobags.
Além dessas empresas, a campanha contou com outros parceiros que agregaram esforços, como Carrefour, CPFL, Livraria Saraiva, CNT, Rádio Câmara, Vivo, Gol Linhas Aéreas e instituições de referência no tema consumo consciente como Instituto Akatu e WWF.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Diário: Marinês na Maratona de Caracas e na "Mon Quartier"

Na semana passada, Marinês participou da Maratona de Caracas, na Venezuela.

Ao lado do famoso e simpático Miguel "Baleia"

Ela concluiu a prova em quarto lugar em sua categoria, recebendo troféu e prêmio em dinheiro pelo feito.

Bilu, o trofeu e o cheque
As fotos acima foram publicadas no Blog dos Baleias, de Miguel "Baleia". Para ver a cobertura da corrida na íntegra, clique aqui.

E para completar o fechamento do ano com chave de ouro, Marinês também foi destaque do mês na Revista "Mon Quartier":


Você pode ampliar a imagem acima clicando sobre ela ou ler a matéria diretamente no site da Mon Quartier, clicando sobre a edição eletrônica e paginando até chegar à matéria "Correndo para o Mundo".

Depois de ser a primeira brasileira a subir no pódio em Gussing, na Austria, ela também foi provavelmente a primeira brasileira a ser premiada em Caracas. Parabéns, minha Biluzinha. Você continua orgulhando a mim e a todos que lhe conhecem.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Serra prometeu derrubar novo marco do pré-sal para beneficiar petroleiras americanas

Do Boletim Informes:

Serra prometeu derrubar novo marco do pré-sal para beneficiar petroleiras americanas

Novos documentos obtidos pelo site WikiLeaks revelam que as petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal aprovado pelo Congresso Nacional. Uma dessas empresas, a Chevron, ouviu do então pré-candidato à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que o novo marco aprovado seria alterado, caso ele vencesse as eleições.
Isso que mostra telegrama diplomático dos Estados Unidos de dezembro de 2009 obtido pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch). A organização teve acesso a milhares de despachos. Deixa esses caras fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.
Para o deputado José Genoíno (PT-SP), os diálogos não representam nenhuma novidade. “Nós do PT sempre soubemos das reais intenções dos tucanos. Durante as campanhas, eles (PSDB) sempre negaram que quisessem entregar o pré-sal para a especulação, mas nossa campanha denunciou e evitou essa manobra do PSDB”, disse o parlamentar. Para o petista, as informações do site batem exatamente com a posição adotada pelos tucanos durante a discussão do novo marco regulatório do pré-sal. “Eles não podem nem negar. Eles estiveram contra as mudanças o tempo topo”, afirmou.
Para o líder do Governo na Câmara, Cândito Vaccarezza (PT-SP), os dados devem servir de alerta para a população. “Felizmente, essas foças retrógradas perderam as eleições. Conseguimos mudar o marco regulatório, e a Petrobras vai mostrar que é capaz de explorar o pré-sal. Agora, é trabalhar pelo Brasil. Para esses que tentaram negociar com forças contrárias ao Brasil, fica a lição de que estamos de olho”, alertou.
Negociações – O despacho relata a frustração das petrolíferas com a falta de empenho da oposição em tentar derrubar a proposta do governo brasileiro. O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem “senso de urgência”. Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: “Vocês vão e voltam”.
A executiva da Chevron relatou a conversa com Serra ao representante de economia do consulado dos Estados Unidos no Rio. O cônsul Dennis Hearne repassou as informações no despacho “A indústria do petróleo conseguirá derrubar a lei do pré-sal?”. O governo brasileiro alterou o modelo de exploração – que desde 1997 era baseado em concessões –, obrigando a partilha da produção das novas reservas. A Petrobras tem de ser parceira em todos os consórcios de exploração e é operadora exclusiva dos campos. A regra foi aprovada na Câmara este mês.
Outros seis telegramas do consulado dos Estados Unidos no Rio sobre a descoberta da reserva de petróleo, datados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009, mostram a preocupação da diplomacia dos Estados Unidos com as novas regras. O crescente papel da Petrobras como “operadora chefe” também é relatado com preocupação.
O consultado também avaliava, em 15 de abril de 2008, que as descobertas de petróleo e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) poderiam “turbinar” a candidatura de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil. O consulado cita que o Brasil se tornará um “player” importante no mercado de energia internacional.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Lançada busca por palavra em todas as leis do Brasil

Já uso o site do Planalto para consulta de legislação a bastante tempo, mas a nova versão ficou ainda melhor, permitindo a busca por palavra contida no texto legal.
Edilson.

Site do Planalto, reformulado, lança sofisticada ferramenta de pesquisa

O novo Portal da Legislação da Presidência da República foi lançado ontem (2.dez.2010). Velho conhecido de quem pesquisa leis na internet, o portal teve visual reformulado e conteúdo reorganizado, para facilitar as consultas. É um grande serviço público.
Entre as novidades está a busca por palavra. No campo “Busca” (no canto superior direito da tela inicial do portal), o internauta pode digitar termos genéricos e encontrar o conteúdo legislativo relacionado. Assim, interessados em leis sobre “ambiente” vão encontrar, diretamente, lista de resultados sobre o tema, sem precisar gastar tempo clicando em diversos links.
Essa ferramenta facilita a vida do leigo. Por exemplo, ao digitar a palavra “aluguel” chega-se a todas normas sobre o tema em segundos.
O site disponibiliza cerca de 70 mil normas (nome genérico para leis, emendas constitucionais, leis complementares e outros tipos de textos legislativos), informa Fábio Brandt, repórter do UOL. Quem não sabe ao certo qual dessas normas consultar, mas sabe a qual área ela pertence, conta com um menu, apresentado logo na página inicial do site, que classifica o conteúdo por assunto – como “saúde”, “consumidor”, “indígenas” e “trânsito”.
Outro menu divide as normas por tipo, usando uma linguagem mais técnica – como “medidas provisórias”, “códigos”, “estatutos” e “decretos”. Ou seja: são formas de se chegar rápido ao conteúdo procurado ou, ao menos, a algo próximo disso, mesmo para quem não conhece quase nada de leis.
Além disso, buscas por leis brasileiras realizadas no Google (motor de busca mais popular da internet) costumam direcionar para páginas do Portal da Legislação.
Interessados em acompanhar mudanças legislativas podem se cadastrar no sistema “Push” (destacado no menu lateral direito da home page do portal). Trata-se de um informativo diário, enviado por e-mail, sobre leis e decretos assinados pelo presidente da República e sobre as mudanças nas leis existentes.
De acordo com a Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil (SAJ), órgão responsável pelo portal, há mais de 50 mil cadastrados no “Push”, implementado no velho portal em 2008. A SAJ também informa que recebia cerca de 10 mil page views por dia e que o novo portal recebeu ontem, dia de seu lançamento, 67 mil page views até as 18h15.

CD-Rom vai mostrar aos estudantes história das vítimas da ditadura

É importante perceber que a discussão está voltando à baila. Este passado não pode ser simplesmente esquecido, porque ainda há muitas questões pendentes e não esclarecidas envolvendo este período.

Só por meio da verdade pode haver a verdadeira reconciliação nacional.

Edilson.

11/12/2010
 
A história de 394 mortos e desaparecidos durante a ditadura militar (1964-1985) será conhecida dos estudantes do ensino médio de todo o Brasil. O relato está em um CD-ROM, elaborado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que será distribuído pelo governo federal para oito mil escolas públicas.
Montado a partir dos arquivos do projeto Direito à Memória e à Verdade, da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) e outros documentos e com o apoio do Ministério da Educação (MEC), o CD-ROM conterá mais do que a biografia dos perseguidos políticos. Abordará também a criatividade da cultura brasileira no períodoque vai de 1962 a 1985.
Trezentas canções - Através do material, professores e estudantes conhecerão melhor o contexto histórico e cultural do período com acesso a quatro mil fotografias e ilustrações. E mais trechos de 300 canções e filmes que remetem o espectador/ouvinte para uma viagem no tempo circulando por três décadas da história do país, desde o governo constitucional de João Goulart, passando pelo golpe militar, a consolidação do autoritarismo até o retorno da democracia.
Na abertura, o CD-ROM exibe as fotos das pessoas assassinadas pela repressão ou que ainda estão desaparecidas. Quando se passa o mouse sobre o retrato, é possível identificar nome e data da morte ou do desaparecimento. Quando se clica em cima da imagem, a foto se amplia e, ao lado, surgem cenas de acontecimentos políticos contemporâneos, nacionais ou internacionais, capas de discos, livros e outras, sempre acompanhadas da descrição daquele momento histórico.
“Uma batalha ganha” - “Essa juventude de hoje não conhece os anos difíceis que o país passou”, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad, da Educação, nesta sexta-feira, em Brasília, durante o lançamento do CD-ROM que, para ele, “será festejado como um instrumento de transformação”. E reparou que “democracia se apropria com a cultura”. O ministro Paulo Vannuchi , da SDH, registrou que a experiência é “absolutamente pioneira” em termos de projetos de memória.
O trabalho foi coordenado pela professora Heloisa Starling, do departamento de história da UFMG, e contou com a participação de 15 estudantes de várias áreas. Agora, o projeto irá para a internet através de um site a ser desenvolvido pela universidade mineira. Heloisa Starling definiu a tarefa desenvolvida como “uma batalha ganha” na recuperação da memória da época da ditadura.

Fonte: Brasília Confidencial com Agência Brasil

Falsos e-mails de bancos e órgãos públicos - Denuncie à Polícia Federal

Se você receber algum e-mail suspeito de banco ou de algum órgão governamental, especialmente solicitando clicar em links ou o fornecimento de dados pessoais, tome cuidado, pois bancos e órgãos do governo não costumam enviar e-mails aos seus clientes e usuários. Neste caso, denuncie à Polícia Federal, que tem um departamento especializado em crimes pela internet.

Leia o alerta abaixo, divulgado pela Polícia Federal:

POLÍCIA FEDERAL ALERTA PARA E-MAILS MALICIOSOS

BRASÍLIA/DF – A Polícia Federal alerta os internautas que, nas últimas semanas, estão sendo enviadas mensagens eletrônicas em nome do órgão. As falsas mensagens informam que o usuário teria navegado por sites clandestinos e que isso resultaria na abertura de inquérito policial. Depois há um pedido para "clicar" em um link anexado a mensagem.

A Polícia Federal não envia mensagens eletrônicas para apuração de denúncias e nem para abertura de investigação. O único meio de contato com a Polícia Federal é por meio do endereço
dcs@dpf.gov.br da Divisão de Comunicação Social, usado para o encaminhamento de dúvidas, reclamações e sugestões.

Portanto, ao receber a mensagem suspeita, orientamos que ela seja encaminhada para o endereço crime.internet@dpf.gov.br e logo em seguida apagada.

por Divisão de Comunicação Social (61) 2024-8142 (www.dpf.gov.br/dcs).

Fonte: http://www.dpf.gov.br/

domingo, 12 de dezembro de 2010

Procura por desaparecidos políticos será retomada em 2011

Amigos,

A notícia que publico abaixo renova minhas esperanças, pois tenho um irmão desaparecido exatamente nesse período, mais precisamente no ano de 1968. O nome dele "é" Oldack Leoncio Soares. Pretendo procurar as autoridades e pessoas ligadas a organizações sociais que atuam na busca da verdade referente a este período para tentar obter informações sobre ele.

Na verdade  nem tenho certeza se meu irmão participou ou não do movimento de resistência à ditadura militar, pois eu tinha apenas 4 anos e os demais membros de minha família não eram muito politizados. Além disso, os militantes daquele tempo escondiam suas atividades da família para não colocá-los em risco.

O que sei é que ele sumiu exatamente no auge dos anos de chumbo e nunca apareceu qualquer notícia ou vestígio dele, apesar de minha mãe ter procurado a imprensa, hospitais, polícia e até místicos em busca de informações ou esperança, sem qualquer sucesso.

Sinto que tenho esta dívida para com ela e para com meu irmão. Assim, se alguém que me lê puder me dar qualquer informação a respeito, serei eternamente grato.

Edilson.

---------------
Da Agência Brasília Confidencial:

06/12/2010
Eliaria Andrade - O Globo
Após 25 dias de trabalho neste mês e no anterior, a equipe que procura as ossadas de desaparecidos políticos no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo/SP, suspendeu a busca. Mas a procura será retomada em 2011, a partir do dia 14 de fevereiro.
O ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, está apelando aos militares e civis que participaram da repressão durante a ditadura militar (1964-1985) para que revelem, mesmo sob anonimato, onde estão os restos mortais dos desaparecidos políticos ou o que fizeram com os corpos. “Isso tudo é como buscar agulha no palheiro, porque a questão chave nós não conseguimos resolver ainda, que é convencer as pessoas que participaram da repressão a contar (onde estão os restos mortais)”, disse Vannuchi na semana passada.
Com a eventual cooperação de agentes, torturadores ou colaboradores da ditadura militar será possível saber se há corpos que foram, por exemplo, mutilados ou jogados no mar. Em todos estes casos, os familiares não receberam os despojos e não puderam enterrar seus parentes.
Exame de DNA - No cemitério de Vila Formosa, enterradas há cerca de 40 anos, as possíveis ossadas de desaparecidos estão muito decompostas. Milhares de outros restos humanos foram jogados sobre elas, deixando-as “em uma espécie de pasta”.
Nas buscas recém interrompidas, a Polícia Federal encontrou dentes e fragmentos de ossos que seriam de Sérgio Corrêa, membro da Aliança Libertadora Nacional (ALN). Correa morreu em setembro de 1969, vítima de uma explosão na rua da Consolação, centro da capital paulista, e foi sepultado como indigente. Ainda neste mês, o Instituto Médico Legal, de São Paulo, analisará o material coletado. Será submetido à antropometria forense – comparação de dados – e depois exame de DNA.
Mentalidade antidemocrática - Nas futuras buscas, o principal objetivo serão os restos de Virgílio Gomes da Silva. Também da ALN, onde usava o codinome Jonas, liderou o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, em 1969. Bem sucedida, a operação desencadeou uma grande represália dos órgãos de repressão. Jonas foi preso no dia 29 de setembro do mesmo ano. Segundo relata o livro “Direito à Memória e à Verdade”, da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, ele morreu 12 horas após ser preso. Seu laudo médico descreve equimoses, hematomas e fraturas – entre elas o afundamento do crânio – por todo o corpo.
Na opinião de Vanucchi, o país não concluirá o processo de reconciliação democrática enquanto as famílias não souberem o que ocorreu com seus entes queridos. “Infelizmente, há ainda uma mentalidade raivosa, de ódio e de torturadores e de comandantes de torturadores que não fizeram a conversão à vida democrática”, disse. O levantamento da Secretaria de Direitos  Humanos registra os nomes de 383 esaparecidos durante a ditadura.
As razões da busca – Os argumentos para persistir na procura das ossadas das vítimas do regime militar estão na Diretriz 22, do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Um deles reside na necessidade de “assegurar às famílias o exercício do direito sagrado de prantear seus entes queridos e promover os ritos funerais, sem os quais desaparece a certeza da morte e se perpetua angústia que equivale a nova forma de tortura”. Observa-se ainda que os jovens tem o direito de conhecer o que se passou nos anos de chumbo.
“A história que não é transmitida de geração a geração – diz o documento — torna-se esquecida e silenciada”. E prossegue: “O silêncio e o esquecimento das barbáries geram graves lacunas na experiência coletiva de construção da identidade nacional.” Acentua que “resgatando a memória e a verdade, o país adquire consciência superior sobre sua própria identidade, a democracia se fortalece. As tentações totalitárias são neutralizadas e crescem as possibilidades de erradicação definitiva de alguns resquícios daquele período sombrio, como a tortura, por exemplo, ainda persistente no cotidiano brasileiro”.
Calcula-se que 50 mil pessoas foram presas somente nos primeiros meses de 1964. Cerca de 20 mil foram torturadas. Houve milhares de prisões políticas não registradas, 130 banimentos e 4.862 cassações de mandatos políticos.
Fonte: Brasília Confidencial

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A partir de hoje, farmácias só vendem antibióticos com receita

As novas regras para venda de antibióticos entram em vigor nesta segunda-feira. A partir de hoje, farmácias e drogarias só poderão vender esses medicamentos com receita de “controle especial” em duas vias. A primeira via ficará retida no estabelecimento e a segunda deverá ser devolvida ao paciente com carimbo para comprovar o atendimento. As receitas também terão um novo prazo de validade: dez dias.

Os médicos devem estar atentos para a necessidade de entrega – de forma legível e sem rasuras – de duas vias do receituário aos pacientes. As medidas valem para mais de 90 substâncias antimicrobianas, que abrangem todos os antibióticos com registro no país, com exceção dos que tem uso exclusivo no ambiente hospitalar. O objetivo da Anvisa, ao ampliar o controle sobre esses produtos, é contribuir para a redução da resistência bacteriana na comunidade brasileira.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 50% das prescrições de antibióticos no mundo são inadequadas. Só no Brasil, o comércio de antibióticos movimentou, no ano passado, cerca de R$ 1,6 bilhão, de acordo com relatório do Instituto de Serviços de Marketing Intercontinental (IMS Health).

Fonte: Brasília Confidencial

sábado, 6 de novembro de 2010

Maratona de Toronto - Fotos

Eu até agora não tive tempo de ilustrar os diários da última viagem com fotos. Agora estou começando a organizar as fotos para fazer isto.

Como uma prévia, aí vão algumas das fotos tiradas pela organização da Maratona de Toronto, na qual corri o último km junto com Marinês, aproveitando que a fiscalização da prova não era muito rígida, talvez por não ter tanta gente como nas maratonas maiores (Nova York, Berlim, Londres, etc.).

A pose tradicional

Voando na pista

Chegando juntos
 

  
Na linha de chegada - Parando o cronômetro

A família comemora reunida - Só faltou a Bina, que não conseguiu acompanhar.
Luísa filmou a chegada toda

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O OVO (GORADO) DA SERPENTE

O texto abaixo mostra que a campanha preconceituosa dos paulistas contra os nordestinos é bem anterior ao resultado das eleições.

O OVO (GORADO) DA SERPENTE, por Lira Neto

Texto publicado originalmente no Diário do Nordeste, em 16 de julho de 2010.

O nome dela é Fabiana. Em seu lacônico perfil na internet, ela não nos revela o sobrenome. Mas se diz "nascida e criada em São Paulo, filha e neta de paulistas". Informa-nos também, com idêntico orgulho: "Crescida na capital, com vínculos com o interior". Fabiana, que se assume uma "iniciante em temas como cultura e autodeterminação há cerca de dois anos", é moderadora do blog "São Paulo para os paulistas".

Os anônimos idealizadores do blog, dias atrás, despejaram na rede uma petição às autoridades e à sociedade paulista. Até o instante em que garatujo este texto, 471 indivíduos - supostamente todos membros de quatrocentonas estirpes de Piratininga - adicionaram o nome ao documento. Pena que boa parte dos signatários adote o exemplo de Fabiana e não nos consinta conhecer os sobrenomes, o que nos impede de conferir-lhes até onde vai a integridade dos galhos de sua venerável árvore genealógica.

"São Paulo é grandioso, nossos antepassados trabalharam para isso", gaba-se o manifesto. "Não se deve permitir que outros se apoderem do que é nosso", defendem os autores da briosa petição. "Todo local ao nosso redor está infestado de migrantes", escandalizam-se. "Nas ruas, ônibus, supermercados, parques, todos os postos tomados. Ao adentrar em um comércio, todos os funcionários são migrantes. Isto é um extermínio cultural inadmissível", protestam, quiçá tapando o nariz, provavelmente arrebitado.

Por falar em extermínio, a repulsa de Fabiana e seus camaradas nessa cruzada moral e cívica não é contra a migração em geral, mas contra uma espécie peculiar de migrante. Em relação aos estrangeiros, por exemplo, nada têm a objetar. "Estes ajudaram a construir São Paulo", acreditam. Mas "repugnamos o ´R´ gutural, vogais abertas, as expressões ´ôxe´, etc.", particularizam.

Consideram falácia a afirmação de que São Paulo foi construída pelo braço nordestino. Até os anos 50, imaginam, a presença de migrantes do Nordeste teria sido "irrisória" para o estado. "As fotos e filmagens do período atestam o perfil da população", afiançam, demonstrando um rigor histórico capaz de fazer o ectoplasma de Plínio Salgado dar pinotes de vergonha. "São Paulo não optou por esta mão-de-obra. Em sua ausência, seria substituída", alegam. "E com melhor qualidade", asseguram.

Os idealizadores do manifesto repudiam a pecha de racistas que, presumem, desabará sobre suas afiladas cabeças: "Não existem culturas superiores ou inferiores. Respeitamos todas as culturas", declaram. "Exigimos que respeitem a nossa, agredida pela migração", ressalvam. "A cultura migrante caracteriza-se por ser agressiva, violenta, simbolizada no fato de ter como seu herói a figura de um cangaceiro". Com base em uma lógica escalafobética, deduzem: "Daí a alta taxa de criminalidade cometida por migrantes em São Paulo".

Os verdadeiros preconceituosos, raciocinam os companheiros da altiva Fabiana, somos nós, os próprios migrantes. "Preconceito é invadir a terra alheia, prejulgando que pode jogar lixo nela, apoderar-se, impor cultura e costumes, ouvir seus ritmos, falar alto em ônibus", revoltam-se os polidos signatários. "Preconceito é o ato de, sendo intruso, negar o direito ao dono da casa de se manifestar", sofismam, evocando o sagrado princípio da livre expressão. "Esclarecemos que não se possui absolutamente nenhuma animosidade contra aqueles que estão em sua terra", explicam. Estará tudo bem, desde que os nordestinos "façam arruaças em suas terras de origem". E advertem: "São Paulo não é filial do Nordeste".

Os digníssimos que assinam o manifesto denunciam uma "vitimação" orquestrada por nordestinos. "Migrantes fazem-se de vítima" para disfarçar a "cobiça de tomar o que é do outro". O argumento remete ao horror antissemita, mas os 471 confrades de Fabiana refutam qualquer hipótese de serem confundidos com nazistas, fascistas, skinheads e afins.

"Não compactuamos com idéias ilegais, clandestinas, desumanas ou intolerantes", juram, para afirmar que não estão amparados em "conceitos prévios", mas em "fatos" concretos. Queixam-se, por exemplo, de que "a quase totalidade dos serviços públicos de São Paulo são para usufruto de outras culturas": postos de saúde, transporte, atendimentos de emergência, assistência social. Como se não bastasse, "migrantes tomam vagas de nossas crianças nas escolas e creches, aumentam a demanda por merenda". Sentindo-se ultrajados, proclamam: "É hora do povo paulista ser menos altruísta".

A pobreza histórica do Nordeste, avalia o manifesto, seria fruto do gosto atávico dos nordestinos pela folia. "Festas juninas interrompem o trabalho por um mês. Há os carnavais fora de época, intermináveis. Enquanto isso, o paulista esgota-se no trabalho".

Como solução final para a "migração predatória", propõem às autoridades medidas radicais. Uma delas, a suspensão de todo e qualquer benefício público a migrantes, incluindo hospitais, escolas, metrôs e creches. Querem multas para empresas que contratem temporários migrantes mas que não providenciem a sua devida "devolução". Concursos públicos seriam vedados a migrantes. O ofício de professor, idem. "O baixo desempenho do estado nos indicadores nacionais são devidos aos migrantes", justificam, aliás, patinando na gramática.

Por fim, solicitam a demolição do Monumento ao Migrante Nordestino e a proibição dos Centros de Tradições Nordestinas no estado. "Repudiamos qualquer tipo de evento à cultura migrante com verbas públicas", bradam. "Tenta-se vender a ideia de que São Paulo é terra sem dono, casa-da-mãe-joana", deploram. "Nossa praças não são locais de rodas de forró", reclamam. "São Paulo para os paulistas!", exigem os 471 gatos pingados, patética e burlesca minoria em uma terra arrebatadora e generosa. Trágico, não fosse tão cômico.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Não ao terceiro turno

Da Agência Brasília Confidencial:

    Parcela minoritária e barulhenta de derrotados nas urnas reagiu ao resultado da disputa pela Presidência da República como se fosse passível de desmerecimento, contestação e enfrentamento a decisão majoritária de tornar Dilma Rousseff a sucessora do presidente Lula. Essa parcela reagiu, enfim, como quem inaugura ou pretende inaugurar uma espécie de terceiro turno imprevisto pela legislação, indesejado pela população, insultuoso ao eleitorado e improdutivo para o país.

    A ideia de iniciar um terceiro turno se evidencia na edição de ontem dos principais diários impressos do país. Começa na informação de que, antes mesmo de começar, o Governo Dilma já vive sua primeira crise causada pela presença explícita ou pela sombra ameaçadora de Lula, que seria candidato à Presidência em 2014. O terceiro turno se insinua também entre o receio de que Lula interfira no governo, tutelando Dilma, e o medo de que não faça isso e deixe o caminho livre para a hegemonia da esquerda do PT. É deflagrado também, o terceiro turno, no pavor provocado pela maioria de praticamente três quintos no Congresso, que poderia dar a Dilma força suficiente para legislar conforme bem quisesse.

    O segmento da mídia que orienta os partidos de oposição participa da tentativa de inaugurar o terceiro turno com o mesmo método jornalístico adotado desde o primeiro semestre do ano passado: textos, comentários, notas e artigos que depreciam Dilma tentando reduzí-la a uma figura influenciável e manipulável. Desmereceram a candidata, agora desmerecem a presidente eleita e, desde já, seu futuro governo.

    A motivação da imprensa aliada aos partidos de oposição antecede a ideia de golpe. Os jornais acreditam representar o pedaço do Brasil que rejeitou Dilma.

    Dilma foi eleita pelo Brasil setentrional. A oposição é o Brasil meridional. É verdade que Dilma fez muito mais votos na parte Sul do que Serra obteve na parte Norte. Mas ela perdeu entre os ‘sulistas ou ‘confederados’, que formam o Brasil da mídia. O Brasil de Dilma é o Brasil sem mídia. E o terceiro turno é, a par de um desejo de facções partidárias oposicionistas, uma tentativa da imprensa mais poderosa do Brasil meridional de expulsar para o Brasil setentrional a candidata e futura presidente dos pobres, dos excluídos, dos desvalidos, dos discriminados, dos trabalhadores, da classe operária.

    Até aqui, Dilma mostrou que é muito maior do que se dizia dela no início da campanha. Mostrou que é capaz de traduzir perfeitamente a ideia da eficiência e da continuidade de um projeto bem sucedido e aprovado. Venceu a campanha eleitoral mais sórdida, repugnante e infame da história republicana. Venceu uma oposição torpe e uma imprensa indecente. E, no primeiro discurso de presidente eleita, estendeu a mão aos adversários propondo trabalho e união pelo país.

    A deflagração do terceiro turno para o período 2011/2014 equivale ao anúncio de, no mínimo, mais de 1.400 dias de campanha e de confronto. Com certeza, não é o que quer e muito menos é de que precisa o povo do Brasil.